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Empreendedorismo

#48 – Semeando negócios de impacto | Entrevistado: Marcio Jappe

Adriano Martins Antonio 26 de novembro de 2021 500 109 5


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Criar, inovar e empreender são coisas importantes e que fazem a engrenagem da sociedade girar. Porém, como fazer com que um negócio tenha impacto positivo para o mundo, tanto no âmbito financeiro quanto social?

Para falar sobre, conversamos com Marcio Jappe, CEO da Semente Negócios.

A Semente Negócios há 10 anos apoia a concepção, validação e crescimento de empreendimentos inovadores, tanto do zero quanto aproveitando as estruturas existentes. O seu foco é em negócios de impacto, que possam trazer consequências positivas para as pessoas.

Sobre a trajetória de Márcio, ele conta que descobriu, ainda criança, por meio dos seus pais a importância do trabalho voluntário e ético. E foi participando de algumas feiras quando era um graduando em Administração de Empresas na UFRGS, que  começou a refletir ainda mais sobre como gerar um impacto positivo para o mundo. Graças a isso, nasceu a Semente Negócios.

Jappe também oferece uma definição do que é um negócio de impacto, e como a Semente busca trabalhar nesse sentido. “O nosso entendimento é, por mais óbvio que seja, que um negócio de impacto é aquele que gera impacto positivo para o mundo.” Ele explica que as organizações nas quais a Semente atua precisam de um modelo de negócio que permita esse impacto. Além disso, o entrevistado ressalta que nem todos os negócios podem se transformar em um negócio de impacto.

O CEO também fala sobre a visão futura desses negócios. “Você sempre tem uma visão do que o negócio quer lá na frente. Porém, esse é um alvo móvel, pois ao mesmo tempo que você busca um objetivo, esse objetivo pode mudar”. Márcio também diz que o maior desafio é definir qual impacto você quer criar e qual modelo você quer adotar para gerar esse impacto.

Jappe também revela que atualmente as organizações estão cada vez mais preocupadas em trazer impacto para o core business, e não apenas por meio de uma ação filantrópica, como uma doação, por exemplo. Aliás, Jappe rebate a ideia de que um negócio de impacto social precisa ser gratuito: “Na realidade, devemos pensar na origem da lucratividade e qual o destino dela.”

Perguntado sobre o que falta para os negócios de impacto decolarem, mesmo com o apoio do governo, setor privado e terceiro setor, Márcio fala que é preciso que o terceiro setor una forças com privado, juntando o melhor dos mundos. Um case de sucesso nesse sentido, segundo o entrevistado, é o Dr. Consulta, que ofereceu a oportunidade para pessoas que não tem nenhum plano de saúde acessarem a rede privada de saúde para realizar procedimentos que nem sempre são possíveis no SUS.

No campo da tecnologia, Márcio é perguntado sobre como plantar essa semente em uma área que muitas vezes só se preocupa em inovar. Ele fala que podemos criar softwares para quase tudo, e que resta olhar para os problemas e ver como a tecnologia pode ajudar. Além disso, ele diz que muitas empresas inovam e podem superar problemas sociais sem ao menos perceber.

Por outro lado, Jappe acredita que atualmente já existe o impactwashing, ou seja, empresas que se apropriam de um discurso de impacto sem que isso seja de fato uma intenção.

E será que um negócio de impacto, com uma proposta de bem-estar social, precisa ser mensurado? Nesse sentido, o CEO é sucinto: “Contra fatos e dados, não há argumentos. A mensuração serve para validar.”

Falando sobre o baixo nível de inovação que o Brasil ocupa, Márcio reflete a respeito dos quatro fatores que influenciam a geração de negócios de impacto e de inovação: acesso ao recurso, capabilidade do recurso, funcionalidade e utilidade. Para o entrevistado, quando olhamos para o país, enxergamos diversos problemas nesse sentido, especialmente com questões burocráticas.

Jappe também conta qual o maior erro que a Semente Negócios cometeu ao longo desses 10 anos: “Intervir, não deixando que os empreendedores se virem.” E complementa: “Com o empreendedor, é preciso deixar que ele cometa equívocos.” Ele também diz que, durante essa trajetória, percebeu como é importante apoiar o dono do empreendimento com questões ligadas à saúde mental.

Por fim, Márcio deixa um recado para quem quer inovar e empreender: “Não se apaixone pelos produtos que você cria, mas escolha um problema pelo qual se apaixonar. O problema das ideias que temos é que somos péssimos juízes dessas ideias.”

Ouça a entrevista na íntegra!

Este podcast é um oferecimento da PMG Academy e é patrocinado pela BRQ Digital Solutions.

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